Você coloca-o acima da cabeça,
segura firme com uma mão e faz seus pés continuarem em frente. Seus olhos
podendo perfeitamente admirar a chuva e observar as pessoas correndo e as
outras andando. Quando você entra nos lugares está perfeita e irritantemente
composto. E quando sai deles continua, perfeita e irritantemente composto.
Até que alguém esbarra em você. E
quando o guarda-chuva cai, você percebe o quanto a chuva é boa. Ela oferece a
mão, como compensação. Leva-te e pergunta aonde vai. Mas aonde você estava indo
mesmo? Oras, alguns não dizem que o caminho é mais importante que o destino?
E você espera que o caminho e a
chuva durem mais que o Dilúvio. Porque os dez dias que faltam para se igualar a
ele parecem pouco. O que você responde a ela? Palavra nenhuma satisfaz, frase
nenhuma é suficiente.
Para o poeta, o contador de histórias, o escritor, esta é a maior das torturas: não saber falar sobre o que mais se
deseja.





