quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sentir e falar

Não gosto de fazer promessas de longo prazo. Mal sei como estarei no final do dia. Quem dirá no final da vida!? Promessas podem se tornar facilmente reles mentiras, esquecidas ao relento ou guardadas num baú. Promessas exigem muito mais tempo do seu pensar, exigem mais solenidade no seu falar e, ainda assim, causam mais efeitos do que você espera.

Eu não prometo futuro. Eu não acredito que ele esteja nas estrelas ou nas cartas. Ele é o sujeito oculto da frase nova. Nunca consegui cumprimenta-lo. Além do mais, toda vez que corria ao seu alcance, ele me jogava o presente. Presente por vezes bom e por vezes mal. De choro e lágrimas que formam o rio da partida das minhas esperanças. De sorrisos melados e riso alto do vento, da brisa, das minhas alegrias. E o futuro se escondia lá no horizonte, presente e invisível. Não, eu não prometo alguém que eu não conheço.

Porém, prometo o presente, pois este eu bem conheço. Um velho amigo meu, salpicado em brilhos e sombras de festa.

sábado, 25 de agosto de 2012

O poder de uma estante

Por curiosidade, por acaso, por recomendação, por obrigação. Não há apenas um motivo, mas também não é por todos.

Você põe um pé a frente, dando o primeiro passo. Passa entre as muralhas de possibilidades. Saboreia cada esquina inesperada e tenta, talvez com sucesso ou talvez bem longe dele, se manter reto. Tenta, mas gosta de saborear seu estado perdido. Como uma borboleta que, mesmo sabendo da morte próxima à luz, caminha até ela.

E passa por ela maravilhado. Maravilhado por se sentir como depois de um banho quente e uma boa refeição: satisfeito, de mente clara e pronto para construir seus próprios muros, colocar suas próprias armadilhas.

Você não entendeu bem a viagem, mas realmente não importa. Não importa o que a viagem é ou de onde veio ou por que você a encontrou. O importante é que você a viu e isso o transformou. Não é o mesmo que entrou e não fará mais as coisas como antes quando sair. Ainda que essa mudança seja sutil demais para olhos alheios. Ou para os seus próprios.