Hoje sabemos que a irreverencia e a intolerância não devem
ser alimentadas e cultivadas. Elas não dão identidade ao jovem, mas apenas o
afundam no próprio desespero do não saber o que fazer. Assim, o tornam
desgraçado e uma doença que faz o futuro ser sombrio e caótico.
A vulgaridade surge então como algo moderno e totalmente
contrário a “caretice”, muito mais alienado que a intolerância. Como se esta
fosse a resposta da vida: abusar da libertinagem para ser feliz. Mas isso
realmente traz a felicidade? O velório de alguns valores traz uma banalização
de situações que antes eram consideradas “mágicas”, ou seja, transcendiam o
comum do ser humano e o transportavam para um mundo de ficção encantado. Dentre
essas situações se encontra a nossa música.
A despreocupação é utilizada para inibir a poesia. E então, pouco
encontramos no nosso cotidiano aquela perspicácia travessa dos autores antigos.
O único meio que se esforça para nos remeter esse pacote é a escola e
convenhamos: Qual aluno presta total atenção a ela? Este encanto escrito e
musicado deve estar presente no dia a dia, fazer-nos viajar e pensar, fugir e
centralizar.
Porém admito que ao contrário da geração de “Alegria,
Alegria” de Caetano Veloso, o jovem de hoje não luta contra uma concreta
ditadura, mas com uma realidade triste e grosseira disfarçada de estável. Uma
realidade ramificada em vários problemas intrínsecos, o que dificulta a união
para erradica-los.
O mundo sempre apresentou dificuldades e agora que todas
estão tão claras devido à globalização bate uma preguiça de lutar contra tanta
coisa. Antes havia um objetivo: ser livre, para sair, para cantar, para
escolher. Mas se o objetivo é a
pacificação, pense em quanto deve ser feito. Ver apenas o futuro e o sonho
individual parece uma vertente muito mais confortável.
Vamos realmente deixar-nos levar por essa maré? Teremos
força para lutar contra essa grande correnteza?



