quarta-feira, 18 de abril de 2012

Histórias para pôneis, os cavalos do Príncipe de Paus


Certa noite, inquieto e pensativo, o jovem Príncipe de Paus se levanta de sua frondosa cama. Menino de não mais de dez anos, geralmente silencioso. Olhos grandes em verde profundo, cabelos lisos castanhos desbotados e geralmente trajado em cores escuras. Indecifrável. Vestiu o hobby e espiou o corredor. À muito a mãe, a Rainha de Copas, e a babá deixaram-no para que dormisse. Fato esse o qual não ocorreu, resultando na sua jornada noturna.

Com um rangido a porta do estábulo abre revelando os pôneis quietos, mas acordados. A luz suave do céu desperta um homem deitado no feno. Ao abrir os olhos, dá um pulo e se apreça em fazer uma reverencia.

- Majestade.... O que fazes tão tarde da noite em um lugar como este? – pronuncia de cabeça abaixada

- Quando o sono foge como um cavalo selvagem, buscamos ao menos o manso cochilo.

A figura pequena senta-se em um monte de feno próximo, de frente para o homem. Observa-o imóvel.

- Se não for incomodo, peço-te um favor: conte-me uma história de dormir.

- Claro vossa Majestade, não há problema algum. – declara surpreso

Cortês, põe-se a contar a melhor história de ninar que conseguia pensar. O príncipe, ainda de olhos bem abertos, preta tanta atenção a ponto de incomodar o homem. Aproveitando uma pausa no pensamento do outro, a voz infantil se faz ouvir.

- Desculpe-me a audácia de interromper. Acorre que essa audácia é triste. Não desejo ouvir uma história repleta de problemas fantasiosos e finais felizes. Desejo uma história que me faça refletir e crescer, mas que ao mesmo tempo permita a minha mente vagar em sonhos mágicos.

Desafiado, o homem se põe a pensar profundamente e recomeça a fala torcendo para conseguir alcançar o objetivo.

                                                                           Inocência Perdida

O céu estava claro, mas dava para vê-lo sem machucar os olhos, pois as copas barravam parte da luz. Barulho ao fundo, ar calmo, quente.

A mãe insistira para que saísse e brincasse, mas não havia mais graça. Desde o adoecer desta e a clara percepção do seu estado frágil e perigosamente perto da passagem, a tristeza e o medo a embalam. Corroendo aos poucos.

Talvez por isso as borboletas não se aproximem mais. E sem elas, a floresta não tem cor. A alegria doce de brincar juntas não está nem na luz, a qual agora somente parece algo necessário.

Levanta-se preocupada. Pobre do pai. Vinha cada vez mais sério e, quase sempre que estava em casa, mantinha um copo e uma garrafa por perto. Ele já devia ter chegado.

Quando entra, a cena é a mesma. A gentil empregada já havia deixado o jantar pronto e o pai comia e bebia.

Pega a bandeja de prata logo após um baixo cumprimento. Sobe e com um sorriso coloca-a na frente da mãe.

- Obrigada, meu anjo. – disse sorrindo tão calorosamente quanto no tempo em que cozinhava

Gostava de ficar com ela. Isso a animava e nesse momento insistia para que descansasse. Ficava lhe fazendo carinho até adormecê-la.

Lá em baixo, o som de vidro quebrando as fez pular. Desceu tão rapidamente quanto possível para uma humana. O coração com medo palpitando como um beija flor.

O pai esta quebrando a sala e gritando. Ou chorando em palavras ferozes talvez. Tentou segurá-lo, acalmá-lo. Em vão, obviamente, pela condição de criança.

- P... Pare – uma voz fraca sai dos lábios frágeis dela

Pálida e encostada no corrimão, seu esforço para descer e falar pouco adiantou.

- Não! Foi você que causou isso! Você está fugindo de mim!

Ele empurra a garotinha loira. Caída no chão, vê-o gritar mais alto ainda e continuar transtornado. A essa altura apenas os móveis próximos a parede estavam no mesmo lugar.

Furiosa corre até uma pequena estante que parou perto da lareira. Melhor queimar aquelas bebidas malditas, enquanto a mãe tentava pará-lo, ainda gentil. Se não podia evitar o agora, que evitasse uma repetição.

Não esperava a explosão.

Ouviu o pai chamando-a. Chamou por sua mãe. Corre em meio ao fogo adentrando a sala, mas não via nada. Pânico. Um vislumbre de porta aberta.

E lá fora o ar era fresco. E a casa que um dia fora tão bela, desaba como se fosse feita de papel.

Assustada, olha em volta. Não havia ninguém. O fogo berrante se fazia presente na noite como as adagas no peito.

Tristeza é vaga e irritante, mas não era isso que sentia. O choro que corria nas veias e as lágrimas que molhavam a terra não eram mais de uma criança. Era como se o corpo quisesse expulsar aquele sentimento, como se fosse pequeno demais para aguentar o fardo. Fazia-a tremer sem parar. Fazendo-a encolher-se mais e mais, para que pudesse sumir. Para restarem apenas as lágrimas que não apagam a chama.

O brilho dourado das borboletas chama seus olhos, cria um caminho. Uma voz chama ao fundo, macia, serena e forte.

- Venha, pequena boneca de porcelana, criada em redoma de vidro de inocências. Agora você conhece a dor e o remorso.”

As nuvens cobrem a lua como cortinas cobrem janelas. O contador de histórias não consegue dormir, a viagem foi impactante demais para seu próprio coração. No entanto, o Príncipe e seus pôneis já iniciam a jornada dos sonhos.

domingo, 8 de abril de 2012

Para este feriado

Vê o que há de belo
Vê o natural, o humano, a mistura
Inspira o ar puro
Lembra do que tu gostas
Lembra do que tu queres
Lembra do que tu eres
Recarrega as energias
Volta para luta
Deus está contigo, Ele te resgata e te salva.
O mundo não é perfeito, mas tem muita coisa boa para dar. É só você achar a graça das coisas.

 Uma ótima Páscoa a todos!  


Sonhadoramente,
Bárbara

domingo, 1 de abril de 2012

Autores

Ser um criador de significados não é algo fácil. E eu, por mais que planeje em minha obras, sei que o verdadeiro autor cria sua obra em um instante. E eu, depois de tantas tentativas não nego que as melhores frases e imagens vem apenas de um instante, quando a alma alcança o significado completo, a sabedoria natural e simples, a qual não conseguimos sempre visitar, mas que todos nós temos.

E a vida é como uma peça, na qual por mais que ensaiemos para o próximo ato, são os momentos e as pessoas inesperadas que criam a beleza das cenas e elas são a essência principal do espetáculo. Como um jovem ator, de pouco em pouco, vamos percebendo-a e aceitando-a até o momento em que passaremos a verdadeiramente usa-la e vive-la.