quarta-feira, 24 de julho de 2013

Percepção e discernimento

Tente não desperdiçar nenhuma palavra, nenhuma linha de pensamento e se possível crie olhos de mosca. Assim como um leitor devora um livro, devore as falas de seus dias e saboreie-as. Ouvindo, a gente não só aprende como se deleita. Se farte nas manhãs e tardes, por fim se entregando a reflexão noturna.

Traga para perto o calor que lhe atormenta. Aproveita esse ar tão bom de respirar que lhe sufoca e faz sentir, pulsante. Manchas, quão tentadoras são. O mundo tem páginas velhas com manchas que se espalham por muitas mais adiantes. Estas, embora em branco, já estão manchadas pela velha escrita. Esteja ciente, a noite diz.

Se permitir ou não é a escolha por deveras insistente no decorrer dos rodapés. Oras, o ar virou fogo? Escolha de novo. Agora é queimar ou apagar. Uma chama é sempre intensa demais para permitir consequências suaves. Torça para arder sem virar cinzas. Planeje seu crematório com cautela.

Permita-se. O fogo se espalha e apaga nas mãos do vento e do tempo. Sem planejamento ele se acaba no meio do vale. A prudência preserva uma chama, que mais tarde pode ser transportada a uma lareira apropriada. E novamente, aproveite as falas e pensamentos dos seus dias. A vida meramente vivida em meia inteligência é vã, incompleta, para aqueles que conhecem a intensidade de verdadeiramente vivê-la.


Humildemente para grande escritora Jane Austen, que não teve seu final feliz convencional, mas ditou sua própria história. Talvez você não aprove minha prudência. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Verdade

Permeia pedras com a força da tua sutileza, num borbulhar vagante, viajante num declínio. Primeiro pleno, depois em um suspense transparente. Os detalhes dos brilhos formadores do teu todo salpicam vorazes, velozes, atingindo e mirando teus arredores. E permeia vidas e satisfações e gargantas. Passa puro e cristalino, faz nascer e crescer só para ceder ao todo, por vezes inalcançado (pelas mentes), que une e desune teus viventes.

Permita-nos então, flutuar contigo. Não como parte igual, jamais possível seria. Mas como pequena chama alimentada pelo que te compõe. Como pedaços sobreviventes de entendimento da dor e do caos a serem superados. Luzes escassas querendo ver a cor além do reflexo brilhante, procurando-a na profundeza disposta nesta terra de vida em fervor. Luzes não caminham sozinhas, por isso, permita-nos fazer viagem (ainda que superficial) no teu balanço.