Tente não desperdiçar nenhuma
palavra, nenhuma linha de pensamento e se possível crie olhos de mosca. Assim
como um leitor devora um livro, devore as falas de seus dias e saboreie-as.
Ouvindo, a gente não só aprende como se deleita. Se farte nas manhãs e tardes,
por fim se entregando a reflexão noturna.
Traga para perto o calor que lhe
atormenta. Aproveita esse ar tão bom de respirar que lhe sufoca e faz sentir,
pulsante. Manchas, quão tentadoras são. O mundo tem páginas velhas com manchas
que se espalham por muitas mais adiantes. Estas, embora em branco, já estão
manchadas pela velha escrita. Esteja ciente, a noite diz.
Se permitir ou não é a escolha por
deveras insistente no decorrer dos rodapés. Oras, o ar virou fogo? Escolha de
novo. Agora é queimar ou apagar. Uma chama é sempre intensa demais para
permitir consequências suaves. Torça para arder sem virar cinzas. Planeje seu
crematório com cautela.
Permita-se. O fogo se espalha e
apaga nas mãos do vento e do tempo. Sem planejamento ele se acaba no meio do
vale. A prudência preserva uma chama, que mais tarde pode ser transportada a
uma lareira apropriada. E novamente, aproveite as falas e pensamentos dos seus
dias. A vida meramente vivida em meia inteligência é vã, incompleta, para
aqueles que conhecem a intensidade de verdadeiramente vivê-la.
Humildemente para grande escritora Jane Austen, que não teve seu final feliz convencional, mas ditou sua própria história. Talvez você não aprove minha prudência.

