quarta-feira, 24 de julho de 2013

Percepção e discernimento

Tente não desperdiçar nenhuma palavra, nenhuma linha de pensamento e se possível crie olhos de mosca. Assim como um leitor devora um livro, devore as falas de seus dias e saboreie-as. Ouvindo, a gente não só aprende como se deleita. Se farte nas manhãs e tardes, por fim se entregando a reflexão noturna.

Traga para perto o calor que lhe atormenta. Aproveita esse ar tão bom de respirar que lhe sufoca e faz sentir, pulsante. Manchas, quão tentadoras são. O mundo tem páginas velhas com manchas que se espalham por muitas mais adiantes. Estas, embora em branco, já estão manchadas pela velha escrita. Esteja ciente, a noite diz.

Se permitir ou não é a escolha por deveras insistente no decorrer dos rodapés. Oras, o ar virou fogo? Escolha de novo. Agora é queimar ou apagar. Uma chama é sempre intensa demais para permitir consequências suaves. Torça para arder sem virar cinzas. Planeje seu crematório com cautela.

Permita-se. O fogo se espalha e apaga nas mãos do vento e do tempo. Sem planejamento ele se acaba no meio do vale. A prudência preserva uma chama, que mais tarde pode ser transportada a uma lareira apropriada. E novamente, aproveite as falas e pensamentos dos seus dias. A vida meramente vivida em meia inteligência é vã, incompleta, para aqueles que conhecem a intensidade de verdadeiramente vivê-la.


Humildemente para grande escritora Jane Austen, que não teve seu final feliz convencional, mas ditou sua própria história. Talvez você não aprove minha prudência.