Certa noite, inquieto e pensativo, o jovem Príncipe de Paus se levanta de sua frondosa cama. Menino de não mais de dez anos, geralmente silencioso. Olhos grandes em verde profundo, cabelos lisos castanhos desbotados e geralmente trajado em cores escuras. Indecifrável. Vestiu o hobby e espiou o corredor. À muito a mãe, a Rainha de Copas, e a babá deixaram-no para que dormisse. Fato esse o qual não ocorreu, resultando na sua jornada noturna.
Com um rangido a porta do estábulo abre revelando os pôneis
quietos, mas acordados. A luz suave do céu desperta um homem deitado no feno.
Ao abrir os olhos, dá um pulo e se apreça em fazer uma reverencia.
- Majestade.... O que fazes tão tarde da noite em um lugar
como este? – pronuncia de cabeça abaixada
- Quando o sono foge como um cavalo selvagem, buscamos ao
menos o manso cochilo.
A figura pequena senta-se em um monte de feno próximo, de
frente para o homem. Observa-o imóvel.
- Se não for incomodo, peço-te um favor: conte-me uma
história de dormir.
- Claro vossa Majestade, não há problema algum. – declara
surpreso
Cortês, põe-se a contar a melhor história de ninar que
conseguia pensar. O príncipe, ainda de olhos bem abertos, preta tanta atenção a
ponto de incomodar o homem. Aproveitando uma pausa no pensamento do outro, a
voz infantil se faz ouvir.
- Desculpe-me a audácia de interromper. Acorre que essa
audácia é triste. Não desejo ouvir uma história repleta de problemas fantasiosos
e finais felizes. Desejo uma história que me faça refletir e crescer, mas que
ao mesmo tempo permita a minha mente vagar em sonhos mágicos.
Desafiado, o homem se põe a pensar profundamente e recomeça
a fala torcendo para conseguir alcançar o objetivo.
“ Inocência
Perdida
O céu estava claro, mas dava para vê-lo sem machucar os
olhos, pois as copas barravam parte da luz. Barulho ao fundo, ar calmo, quente.
A mãe insistira para que saísse e brincasse, mas não havia
mais graça. Desde o adoecer desta e a clara percepção do seu estado frágil e
perigosamente perto da passagem, a tristeza e o medo a embalam. Corroendo aos
poucos.
Talvez por isso as borboletas não se aproximem mais. E sem
elas, a floresta não tem cor. A alegria doce de brincar juntas não está nem na
luz, a qual agora somente parece algo necessário.
Levanta-se preocupada. Pobre do pai. Vinha cada vez mais
sério e, quase sempre que estava em casa, mantinha um copo e uma garrafa por
perto. Ele já devia ter chegado.
Quando entra, a cena é a mesma. A gentil empregada já havia
deixado o jantar pronto e o pai comia e bebia.
Pega a bandeja de prata logo após um baixo cumprimento. Sobe
e com um sorriso coloca-a na frente da mãe.
- Obrigada, meu anjo. – disse sorrindo tão calorosamente
quanto no tempo em que cozinhava
Gostava de ficar com ela. Isso a animava e nesse momento
insistia para que descansasse. Ficava lhe fazendo carinho até adormecê-la.
Lá em baixo, o som de vidro quebrando as fez pular. Desceu
tão rapidamente quanto possível para uma humana. O coração com medo palpitando
como um beija flor.
O pai esta quebrando a sala e gritando. Ou chorando em
palavras ferozes talvez. Tentou segurá-lo, acalmá-lo. Em vão, obviamente, pela
condição de criança.
- P... Pare – uma voz fraca sai dos lábios frágeis dela
Pálida e encostada no corrimão, seu esforço para descer e
falar pouco adiantou.
- Não! Foi você que causou isso! Você está fugindo de mim!
Ele empurra a garotinha loira. Caída no chão, vê-o gritar
mais alto ainda e continuar transtornado. A essa altura apenas os móveis próximos
a parede estavam no mesmo lugar.
Furiosa corre até uma pequena estante que parou perto da
lareira. Melhor queimar aquelas bebidas malditas, enquanto a mãe tentava
pará-lo, ainda gentil. Se não podia evitar o agora, que evitasse uma repetição.
Não esperava a
explosão.
Ouviu o pai chamando-a. Chamou por sua mãe. Corre em meio ao
fogo adentrando a sala, mas não via nada. Pânico. Um vislumbre de porta aberta.
E lá fora o ar era fresco. E a casa que um dia fora tão
bela, desaba como se fosse feita de papel.
Assustada, olha em volta. Não havia ninguém. O fogo berrante
se fazia presente na noite como as adagas no peito.
Tristeza é vaga e irritante, mas não era isso que sentia. O
choro que corria nas veias e as lágrimas que molhavam a terra não eram mais de
uma criança. Era como se o corpo quisesse expulsar aquele sentimento, como se
fosse pequeno demais para aguentar o fardo. Fazia-a tremer sem parar. Fazendo-a
encolher-se mais e mais, para que pudesse sumir. Para restarem apenas as
lágrimas que não apagam a chama.
O brilho dourado das borboletas chama seus olhos, cria um
caminho. Uma voz chama ao fundo, macia, serena e forte.
- Venha, pequena boneca de porcelana, criada em redoma de
vidro de inocências. Agora você conhece a dor e o remorso.”
As nuvens cobrem a lua como cortinas cobrem janelas. O contador de histórias não consegue dormir, a viagem foi impactante demais para seu próprio coração. No entanto, o
Príncipe e seus pôneis já iniciam a jornada dos sonhos.

MUITOOOOOOOOOOOOOO LOCA!!!!!!!!!
ResponderExcluirparabéns cada dia que eu entro no blog percebo seu talento para escrever melhorando e florescendo uma grande escritora dentro de vc, continue assim e junte toda a sua coragem e imaginação para finalmente escrever um ótimo livro
Agora fiquei um pouquinho envergonhada...
ResponderExcluirBrigada! Se escrever um mesmo, vc vai estar nos agradecimentos miga!!!
Sonhadoramente,
Bárbara
lindo... simplesmente lindo báh
ResponderExcluirNenhum pouco criativo
João Paulo
Obrigada pelo lindo!
ResponderExcluirEssa última frase ñ foi ironia né?
Sonhadoramente,
Bárbara
A história contada pelo homem me faz refletir um pouco e me faz pensar no que este mesmo homem já poderia ter vivido para criar tal história.
ResponderExcluirMas posso estar apenas sendo chato e posso estar falando de coisas que, muito provavelmente não tem grande importância no texto...
Porém, quem sabe, possa ser...
Esperançoso(ou não),
Red
Ñ é exatamente o q ele viveu.
ResponderExcluirNa verdade este é apenas um detalhe sutil, e dependendo de p/ onde levá-lo ficará louco.
Sonhadoramente,
Bárbara
Entendo, suspeitei que fosse algo assim.
ExcluirMas, é claro, eu mostraria muita falta de educação se deixasse de dar os elogios que esse texto realmente merece.
Em todo o caso, o texto ficou muito bom(e sim, desta vez eu li até o final), e gostei bastante, não tenho certeza, mas acho que você atingiu aquilo que visava para este texto, parabéns!
Talvez sorrindo,
Red
Acho q só c/ o q eu disse vc ñ vai conseguir chegar a lugar algum dentro do conjunto geral, desculpe, mas deixa p/ lá. Talvez eu crie uma continuação, aí talvez vc entenda melhor.
ResponderExcluirAgradeço sinceramente seus elogios (e finalmente ter lido até o final).
Mas fiquei curiosa: o q vc acha q eu visava?
Sonhadoramente,
Bárbara
É, talvez eu entenda melhor, e na verdade o texto não é tão grande assim, é que no meio do período de P1 fica meio complicado de ler tudo ^^.
ResponderExcluirNão é nada de mais, só usei ''talvez'' porque não tinha certeza, mas não consigo pensar em um motivo melhor do que ''de fato fazer as pessoas pensarem e crescerem assim como o príncipe queria para si''.
Tenho minhas dúvidas porque, desculpe se for te magoar, mas você sempre me impressiona, e muitas vezes, eu não sei o que esperar de você, então pode ser que eu esteja pensando que entendi, quando estou extremamente longe de tal. Novamente, me desculpe se te magoa...
Indeciso,
Red
É realmente difícil em tempos assim.
ResponderExcluirO pensamento ñ fica completo se vc ñ entende o q o príncipe aprendeu.
Ñ se preocupe, ñ me incomodo c/ isso. Mas na verdade ñ acho q seja capaz de impressionar.
Sonhadoramente,
Bárbara
Quando digo que me impressiona, quero dizer quando(quase sempre), espero algo de você, mas você está pensando em algo completamente fora do meu imaginar, isto me deixa em um estado diferente, quero dizer, de certa forma, acho isso incrível.
ExcluirE quanto ao que o príncipe aprendeu, torna-se um tanto quanto difícil de saber, pois, ao final da história, o mesmo encontrava-se na terra dos sonhos, então não pode-se ter certeza de ''até onde ele ouviu''.
Com um sorriso no rosto,
Red
Certas vezes, isso pode ser uma vantagem.
ResponderExcluirEntão digamos apenas q, independente de onde ele parou de ouvir, pelo menos uma coisa ele aprendeu.
Mas acho q vc consegue descobrir quando ele adormeceu.
Sonhadoramente,
Bárbara
É apenas um palpite, mas, ele poderia ter parado de ouvir mais ou menos no momento em''Assustada, olha em volta. Não havia ninguém. O fogo berrante se fazia presente na noite como as adagas no peito.''
ResponderExcluirMas isso é apenas um palpite...
Provavelmente errado,
Red
Desculpe, meu caro amigo, mas ñ encontrou o momento.
ExcluirSonhadoramente,
Bárbara
Certo. Receio que, chutar momentos aleatórios não me levará a lugar algum, portanto, espero entender melhor da próxima vez.
ExcluirFeliz,
Red
Desculpe-me, mas talvez demore um pouco, para a próxima parte sair.
ExcluirSonhadoramente,
Bárbara
Neste caso, esperarei pacientemente. Não se preocupe, faça um ótimo texto como de costume, não se apresse para não perder a qualidade.^^
ExcluirEsperando,
Red