domingo, 29 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Histórias para pôneis, os cavalos do Príncipe de Paus
Certa noite, inquieto e pensativo, o jovem Príncipe de Paus se levanta de sua frondosa cama. Menino de não mais de dez anos, geralmente silencioso. Olhos grandes em verde profundo, cabelos lisos castanhos desbotados e geralmente trajado em cores escuras. Indecifrável. Vestiu o hobby e espiou o corredor. À muito a mãe, a Rainha de Copas, e a babá deixaram-no para que dormisse. Fato esse o qual não ocorreu, resultando na sua jornada noturna.
Com um rangido a porta do estábulo abre revelando os pôneis
quietos, mas acordados. A luz suave do céu desperta um homem deitado no feno.
Ao abrir os olhos, dá um pulo e se apreça em fazer uma reverencia.
- Majestade.... O que fazes tão tarde da noite em um lugar
como este? – pronuncia de cabeça abaixada
- Quando o sono foge como um cavalo selvagem, buscamos ao
menos o manso cochilo.
A figura pequena senta-se em um monte de feno próximo, de
frente para o homem. Observa-o imóvel.
- Se não for incomodo, peço-te um favor: conte-me uma
história de dormir.
- Claro vossa Majestade, não há problema algum. – declara
surpreso
Cortês, põe-se a contar a melhor história de ninar que
conseguia pensar. O príncipe, ainda de olhos bem abertos, preta tanta atenção a
ponto de incomodar o homem. Aproveitando uma pausa no pensamento do outro, a
voz infantil se faz ouvir.
- Desculpe-me a audácia de interromper. Acorre que essa
audácia é triste. Não desejo ouvir uma história repleta de problemas fantasiosos
e finais felizes. Desejo uma história que me faça refletir e crescer, mas que
ao mesmo tempo permita a minha mente vagar em sonhos mágicos.
Desafiado, o homem se põe a pensar profundamente e recomeça
a fala torcendo para conseguir alcançar o objetivo.
“ Inocência
Perdida
O céu estava claro, mas dava para vê-lo sem machucar os
olhos, pois as copas barravam parte da luz. Barulho ao fundo, ar calmo, quente.
A mãe insistira para que saísse e brincasse, mas não havia
mais graça. Desde o adoecer desta e a clara percepção do seu estado frágil e
perigosamente perto da passagem, a tristeza e o medo a embalam. Corroendo aos
poucos.
Talvez por isso as borboletas não se aproximem mais. E sem
elas, a floresta não tem cor. A alegria doce de brincar juntas não está nem na
luz, a qual agora somente parece algo necessário.
Levanta-se preocupada. Pobre do pai. Vinha cada vez mais
sério e, quase sempre que estava em casa, mantinha um copo e uma garrafa por
perto. Ele já devia ter chegado.
Quando entra, a cena é a mesma. A gentil empregada já havia
deixado o jantar pronto e o pai comia e bebia.
Pega a bandeja de prata logo após um baixo cumprimento. Sobe
e com um sorriso coloca-a na frente da mãe.
- Obrigada, meu anjo. – disse sorrindo tão calorosamente
quanto no tempo em que cozinhava
Gostava de ficar com ela. Isso a animava e nesse momento
insistia para que descansasse. Ficava lhe fazendo carinho até adormecê-la.
Lá em baixo, o som de vidro quebrando as fez pular. Desceu
tão rapidamente quanto possível para uma humana. O coração com medo palpitando
como um beija flor.
O pai esta quebrando a sala e gritando. Ou chorando em
palavras ferozes talvez. Tentou segurá-lo, acalmá-lo. Em vão, obviamente, pela
condição de criança.
- P... Pare – uma voz fraca sai dos lábios frágeis dela
Pálida e encostada no corrimão, seu esforço para descer e
falar pouco adiantou.
- Não! Foi você que causou isso! Você está fugindo de mim!
Ele empurra a garotinha loira. Caída no chão, vê-o gritar
mais alto ainda e continuar transtornado. A essa altura apenas os móveis próximos
a parede estavam no mesmo lugar.
Furiosa corre até uma pequena estante que parou perto da
lareira. Melhor queimar aquelas bebidas malditas, enquanto a mãe tentava
pará-lo, ainda gentil. Se não podia evitar o agora, que evitasse uma repetição.
Não esperava a
explosão.
Ouviu o pai chamando-a. Chamou por sua mãe. Corre em meio ao
fogo adentrando a sala, mas não via nada. Pânico. Um vislumbre de porta aberta.
E lá fora o ar era fresco. E a casa que um dia fora tão
bela, desaba como se fosse feita de papel.
Assustada, olha em volta. Não havia ninguém. O fogo berrante
se fazia presente na noite como as adagas no peito.
Tristeza é vaga e irritante, mas não era isso que sentia. O
choro que corria nas veias e as lágrimas que molhavam a terra não eram mais de
uma criança. Era como se o corpo quisesse expulsar aquele sentimento, como se
fosse pequeno demais para aguentar o fardo. Fazia-a tremer sem parar. Fazendo-a
encolher-se mais e mais, para que pudesse sumir. Para restarem apenas as
lágrimas que não apagam a chama.
O brilho dourado das borboletas chama seus olhos, cria um
caminho. Uma voz chama ao fundo, macia, serena e forte.
- Venha, pequena boneca de porcelana, criada em redoma de
vidro de inocências. Agora você conhece a dor e o remorso.”
As nuvens cobrem a lua como cortinas cobrem janelas. O contador de histórias não consegue dormir, a viagem foi impactante demais para seu próprio coração. No entanto, o
Príncipe e seus pôneis já iniciam a jornada dos sonhos.
domingo, 8 de abril de 2012
Para este feriado
Vê o natural, o humano, a mistura
Inspira o ar puro
Lembra do que tu gostas
Lembra do que tu queres
Lembra do que tu eres
Recarrega as energias
Volta para luta
Deus está contigo, Ele te resgata e te salva.
O mundo não é perfeito, mas tem muita coisa boa para dar. É só você achar a graça das coisas.
Sonhadoramente,
Inspira o ar puro
Lembra do que tu gostas
Lembra do que tu queres
Lembra do que tu eres
Recarrega as energias
Volta para luta
Deus está contigo, Ele te resgata e te salva.
O mundo não é perfeito, mas tem muita coisa boa para dar. É só você achar a graça das coisas.
Uma ótima Páscoa a todos!
Sonhadoramente,
Bárbara
domingo, 1 de abril de 2012
Autores
Ser um criador de significados não é algo
fácil. E eu, por mais que planeje em minha obras, sei que o verdadeiro autor
cria sua obra em um instante. E eu, depois de tantas tentativas não nego que as
melhores frases e imagens vem apenas de um instante, quando a alma alcança o
significado completo, a sabedoria natural e simples, a qual não conseguimos
sempre visitar, mas que todos nós temos.
E a vida é como uma peça, na qual por
mais que ensaiemos para o próximo ato, são os momentos e as pessoas inesperadas
que criam a beleza das cenas e elas são a essência principal do espetáculo.
Como um jovem ator, de pouco em pouco, vamos percebendo-a e aceitando-a até o
momento em que passaremos a verdadeiramente usa-la e vive-la.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Do berço encantado à fotografia manchada
Qual jovem já não ouviu Renato Russo ou Caetano Veloso?
Mesmo para escola, a qual apresenta a importância histórica e literária dessas
músicas? Nelas vemos a poesia, a qual encobre o protesto, a vontade de mudança dos
jovens da época e sua luta sofrida para acabar com a repressão, dos olhos dos
censuradores. Infelizmente essa vontade foi se perdendo por entre as gerações
posteriores devido à perda de esperança e a irreverencia surgiu como algo
próprio das juventudes.
Hoje sabemos que a irreverencia e a intolerância não devem
ser alimentadas e cultivadas. Elas não dão identidade ao jovem, mas apenas o
afundam no próprio desespero do não saber o que fazer. Assim, o tornam
desgraçado e uma doença que faz o futuro ser sombrio e caótico.
A vulgaridade surge então como algo moderno e totalmente
contrário a “caretice”, muito mais alienado que a intolerância. Como se esta
fosse a resposta da vida: abusar da libertinagem para ser feliz. Mas isso
realmente traz a felicidade? O velório de alguns valores traz uma banalização
de situações que antes eram consideradas “mágicas”, ou seja, transcendiam o
comum do ser humano e o transportavam para um mundo de ficção encantado. Dentre
essas situações se encontra a nossa música.
A despreocupação é utilizada para inibir a poesia. E então, pouco
encontramos no nosso cotidiano aquela perspicácia travessa dos autores antigos.
O único meio que se esforça para nos remeter esse pacote é a escola e
convenhamos: Qual aluno presta total atenção a ela? Este encanto escrito e
musicado deve estar presente no dia a dia, fazer-nos viajar e pensar, fugir e
centralizar.
Porém admito que ao contrário da geração de “Alegria,
Alegria” de Caetano Veloso, o jovem de hoje não luta contra uma concreta
ditadura, mas com uma realidade triste e grosseira disfarçada de estável. Uma
realidade ramificada em vários problemas intrínsecos, o que dificulta a união
para erradica-los.
O mundo sempre apresentou dificuldades e agora que todas
estão tão claras devido à globalização bate uma preguiça de lutar contra tanta
coisa. Antes havia um objetivo: ser livre, para sair, para cantar, para
escolher. Mas se o objetivo é a
pacificação, pense em quanto deve ser feito. Ver apenas o futuro e o sonho
individual parece uma vertente muito mais confortável.
Vamos realmente deixar-nos levar por essa maré? Teremos
força para lutar contra essa grande correnteza?
sábado, 17 de março de 2012
Atrás dos seus, dos meus óculos
Palavras
Mesmo palavras com
significados fortes se tornam vãs quando usadas em excesso e banalmente.
Assim,
A palavra só tem
força se alguém lhe dá tal ênfase.
Então,
Se pronunciada com
crença e importância ela terá poder.
Porque para quebrar
um tabu, só basta ter a coragem de falar sem medo.
O poder do crer abre
portas e janelas.
Vence distancias e
muros.
Pois dá energia e
coragem,
Para que o corpo
físico não caia
E para que a mente
não entristeça.
A intuição pode
muitas vezes ser mais correta que fatos.
Se você ainda não percebeu o quanto o mundo é complicado
É por que ainda se ilude com os poucos resultados
E pensa que tudo pode ser provado em cima de observações superficiais.
Se você ainda não percebeu o quanto o mundo é complicado
É por que ainda se ilude com os poucos resultados
E pensa que tudo pode ser provado em cima de observações superficiais.
As respostas
verdadeiras exigem palavras absurdas
As quais só loucos já viram.
E complexas navegam pirando a mente dos que não as entendem.
As quais só loucos já viram.
E complexas navegam pirando a mente dos que não as entendem.
Talvez a verdade não
seja para nós.
Talvez nós não
estejamos prontos para verdade.
Assim seguimos em um
mundo onde palavras
São inseguras e
incertas,
Banais e tristes,
Distantes e
distorcidas,
Verdadeiras e
falsas,
Gentis e intensas.
Completas.
Completas.
Assinar:
Postagens (Atom)




